terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mirari


Se há um artefato que deve ser abominado, este artefato é o Mirari. Guerras foram feitas por causa dele e cada um de seus antigos donos acabou sendo conduzido um terrível destino. Não obstante, ele foi o responsável por milhares de mortes quando estava inanimado e por mais milhões delas quando lhe foi concedida uma vida autônoma. Karn, o golem que possui a essência da centelha de Urza, criou várias sondas com o objetivo de observar os mundos do Multiverso. O problema é que a sonda enviada para Dominária possuía um defeito e houve uma espécie de “vazamento” da energia de mana existente em seu interior, o que a fez se conectar magicamente com várias criaturas e objetos que estiverem próximos de sua presença. Esta sonda defeituosa, no entanto, transformou-se no lendário artefato conhecido como Mirari.

Não se sabe se os defeitos do Mirari ocorreram antes ou depois do artefato entrar em contato com o óleo phyrexiano criado por Yawgmoth. De qualquer forma, o importante é que o Mirari tinha a característica de se conectar com a essência de qualquer forma de vida, seja animal, vegetal ou mineral. Dessa forma, ele era capaz de estabelecer um vínculo telepático com a mente de uma pessoa ou mesmo compreender as característas de um determinado local (como aconteceu com a Floresta Krosana de Otária) e, assim, através de grandes quantidades de mana, o Mirari causava uma mutação em seu alvo para algo mais "evoluído" ou poderoso, transgredindo todas a leis naturais e causando diversas conseqüências problemáticas. 

Tratava-se de um artefato de poder indescritível, que apareceu em Dominária (mais especificamente em Otária) cerca de um século após a Invasão Phyrexiana, tornando-se a razão de grandes conflitos na Cidada da Cabala, quando foi descoberto por Chainer. A palavra "mirari" era uma denominação antiga para um tipo fantástico de artefato que concede desejos e como ele se igualara a esta descrição, tornando reais os sonhos de seus portadores, a nomeclatura tornou-se iminente. Com o tempo, foi possível identificar que o poder concedido pelo Mirari custava um preço ao seu portador. Era comum que quem estivesse em seu poder se tornasse obcecado por possuí-lo e até mesmo ser conduzido a um destino ainda mais sombrio do que a morte, como descobriu Kamahl ao confrontar Karona.

Assim, incontáveis guerras e duelos arcanos foram travados até que seu criador apareceu em Dominária e o levou de volta para seu próprio plano artifical metálico, Argentum, onde transformou o Mirari no constructo consciente chamado Memnarca. Karn pensou que, dando vida ao artefato, estaria criando uma criatura capaz de sentir remorso dos seus atos e, portanto, uma entidade capaz de aprender e evoluir. Infelizmente, o golem de prata estava errado. Ao invés de criar um herdeiro, Karn criou uma abominação. Nascera ali um monstro que não tinha senso de certo ou errado, cujo futuro seria de tirania durante muitos séculos adiante.

Memnarca acabou sendo contaminado pelo óleo phyrexiano, que atuou como um tipo de substância viral que corrompeu completamente o mundo metálico. Sem saber disso até pouco tempo atrás, Karn também carrega uma parte deste óleo em seu interior, mais especificamente na Pedra Coração que foi utilizada durante sua criação através das mãos habilidosas de Urza. Dessa forma, Karn deixou traços do óleo em diversos locais durante seus trajetos através dos planos, incluindo no próprio Argentum.

Além disso, os anos de solidão após a partida de seu criador fizeram com que Memnarca enlouquecesse e criasse inconscientemente uma barreira psíquica que impedia Karn de retornar à Argentum. O artefato-vivo que havia sido encarregado de agir como Guardião daquele mundo deixou de ser um observador e assumiu definitivamente as rédeas de todas as formas de vida lá existente, inclusive rebatizando o plano metálico com o nome de Mirrodin. Ele secretamente tramava construir um aparato capaz de extrair a centelha de planinauta de alguma criatura e inserí-la em sim próprio. Quando descobriu uma maneira de fazê-lo, ele deu início à uma grande empreitada para realizar tal objetivo. Porém, quando todos os pontos culminantes apontavam uma vitória para Memnarca, o destino mudou seu caminho e ele foi derrotado. Sua inimiga e portadora da centelha que pretendia roubar, Glissa, fez com que a Quinta Aurora de Mirrodin ocorresse antes do previsto e, dessa forma, os planos do Memnarca fossem frustados.

Cego pela raiva, o soberano de Mirrodin lutou uma batalha final contra Glissa no topo do cauterizante Núcleo de Mana e foi derrotado. Memnarca despencou na fornalha de mana e conseqüentemente foi desativado pela elfa, pois não sabia como destruí-lo. Nesse momento, o véu psíquico que impedia a entrada de Karn em Mirrodin se desfez e o planinauta pode adentrar novamente no mundo metálicoO golem de prata destruiu o corpo do Memnarca, devolvendo-o para sua forma original: o Mirari. Após trancafiá-lo em algum lugar seguro do Núcleo de Mirrodin, Karn destinou-se a restabelecer a ordem para o seu mundo.

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